sábado, 15 de janeiro de 2011

Pedalar sem Parar



Maio de 2010 foi marcante pelos desafios e experiências vividas.
Como aluno assíduo da aula de terça-feira à hora de almoço de spinning, fui desafiado pelo Professor Tóni Moita a participar na Maratona de 3 horas sem parar na Decathlon em Matosinhos. Uma hora de spinning com o Tóni, o melhor professor da modalidade em Portugal, é de um esforço sobre-humano, tenho como testemunhas os meus companheiros de aula, agora imaginem 3 horas. Só para terem uma ideia uma aula faz com que perca entre 800 a 900 calorias. De facto, era um verdadeiro desafio à capacidade física e mental dos participantes. Durante essa semana lembro-me perfeitamente de gerir muito bem o meu esforço na minha actividade física regular para que pudesse estar ao mais alto nível no evento. À medida que o tempo passava a ansiedade aumentava, não só pela dureza da prova mas também pela responsabilidade de estar a representar o Fitness Worx para uma plateia de centenas de pessoas que por lá circulariam. E chegou o tão esperado dia. Recordo-me de o ter programado ao pormenor. O descanso e a alimentação foram minuciosamente prezados. Chego ao local imbuído por um espírito de aventura e no meio daquele entusiasmo todo dei por mim a pedalar e a consciencializar-me que só poderia parar passado 180 minutos. Tínhamos 3 monitores para as 3 horas. A primeira hora foi de facto a mais fácil, não só pela frescura física mas também pelo hábito. Ao entrar no segundo bloco o corpo estava a adaptar-se a uma nova realidade mas sempre a corresponder da melhor maneira, até porque inconscientemente sabia que o pior estava para vir no terceiro bloco, não só pelo acumular de cansaço mas também pelo facto de ser o Tóni a entrar em acção. Durante esta "viagem"  hidratava-me sistematicamente e pontualmente comia barras energéticas.
Num ápice olho para o relógio e assusto-me com as calorias que já tinha queimado.
No meio daquela multidão toda que por lá passava, estupefactos pela disponibilidade física e mental que nós dispúnhamos, ouve-se um estrondo, e ao mais alto estilo de Hollywood eis que entramos na terceira hora. As pernas pesavam toneladas, a música era entusiasta e nesta mistura explosiva já pedalava com o coração. O momento mais alto deu-se quando avistei a minha filha ao colo da Marta. Esta foi a injecção de motivação que eu necessitava para acabar o desafio. E com todo o sacrifício chego ao fim como um Pai Herói.

Nota: Entre rectas e montanhas perdi 3.325 calorias.

sábado, 6 de novembro de 2010

Nunca digas Nunca

10/10/10
 Lá estava eu em grande estilo e cheio de confiança a correr a minha primeira Meia-Maratona. ´
Mas vamos começar pelo início e fica desde já a promessa de que falarei dessa experiência mais tarde.
Tudo começou em Maio do presente ano. Fui desafiado pelo meu amigo Ricardo Rêgo para fazer a prova de 10 km entre a Póvoa de Varzim e Vila do Conde, o que para mim era uma distância para a qual eu achava que não estava minimamente preparado, pois o meu passado comprovava que não era grande adepto da corrida.  Esta prova teve algo de peculiar: chegamos atrasados cerca de 6 minutos ao tiro de partida, o que fez com que corrêssemos metade do percurso sozinhos na estrada, só com o apoio  do público que se fazia ouvir com incentivos típicos de quem estava solidário com os últimos classificados. À medida que avançávamos fui-me deparando com os primeiros participantes a correr a toda a velocidade em sentido contrário. Foi nesse instante que me apercebi que estava no meio de uma prova e de que aquilo era a sério, pois até aquele momento corria numa tentativa desesperada de apanhar pelo menos o carro vassoura que nem sequer estava no meu horizonte. Esta minha busca incessante fez com que ao km 5 o sonho se tenha tornado realidade. Lá estava o dito veículo acompanhado por 2 corredores em condições muito debilitadas. Eles fizeram-me acreditar de que era possível não ficar em último. À medida que ultrapassava sentia uma adrenalina inexplicável. Por momentos senti que era capaz de correr até ao fim do mundo. Foi então que o Ricardo acenou com a cabeça com o intuito de me dar força para prosseguir sem olhar para trás. Ele percebeu perfeitamente o que eu estava a viver. Aquele gesto libertou-me.  E lá fui eu a toda a velocidade em busca da meta com a perfeita  noção de que iria conseguir acabar esta prova. Num ápice lá estava eu a esticar o pescoço para ganhar uns milésimos de segundo ao tempo.
Colocaram-me a medalha de participação, e para mim ela tinha o peso do ouro.